Sêneca - Biografia




Estátua em Roma


























Estátua de Sêneca em Córdoba
Lucius Annaeus Sêneca nasceu em Córdoba, Espanha em 4 a.C e faleceu em Roma, Itália - 65 d.C. O primeiro representante do estoicismo romano, sem contar as idéias estóicas que se encontram no ecletismo de Cícero.
Conhecido como Sêneca o Jovem, era filho de Sêneca filho de Lúcio Aneu Sêneca o Velho, (55 a.C - 39 a.C) célebre orador, que teve renome como retórico e do qual restou uma obra escrita (Declamações).
O futuro filósofo Sêneca, devido a sua origem ilustre, foi educado em Roma, onde estudou a retórica ligada à filosofia. Com a saúde abalada pelo rigor dos estudos, passou uma temporada no Egito para se recuperar e regressou a Roma por volta do ano 31. Nessa ocasião, iniciou carreira como orador e advogado e logo chegou ao Senado.





Em 41 envolveu-se num processo por causa de uma ligação com Julia Livila, sobrinha do imperador Claudius I, que o desterrou.
No exílio, Seneca dedicou-se aos estudos e redigiu vários de seus principais tratados filosóficos, entre os três intitulados Consolationes (Consolos), em que expõe os ideais estóicos clássicos de renúncia aos bens materiais e busca da tranqüilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação.
Por influência de Agrippina II, sobrinha e esposa do imperador, Sêneca retornou a Roma em 49.Agripina tornou-o preceptor de seu filho, o jovem Nero, e elevou-o a pretor em 50. Sêneca contraiu matrimônio com Pompeia Paulina e organizou um poderoso grupo de amigos.


Agripina II

Claudios I

Logo após a morte de Claudius I, ocorrida em 54, o escritor vingou-se com um escrito que foi considerado obra-prima das sátiras romanas, Apocolocyntosis divi Claudii (Transformação em abóbora do divino Claudius). Nessa obra, Sêneca critica o autoritarismo do imperador e narra como ele é recusado pelos deuses.Quando Nero foi nomeado imperador, Sêneca converteu-se em seu principal conselheiro e tentou orientá-lo para uma política justa e humanitária.Durante algum tempo, exerceu influência benéfica sobre o jovem, mas aos poucos foi forçado a adotar atitudes de complacência. Chegou mesmo a redigir uma carta ao Senado na qual justificava a execução de Agrippina II em 59.





Com o avanço dos delírios de Nero e a execução de Agripina, Sêneca, depois de condescender um pouco com os maus instintos de Nero, retirou-se da vida pública em 62, passando a se dedicar exclusivamente a escrever e a defender sua filosofia. No ano de 65 foi acusado de participar na conjuração de Pisão, recebendo de Nero a ordem de suicídio, que executou em Roma, no mesmo ano, com o ânimo sereno que defendia em sua filosofia.


Morte de Sêneca, de Peter Paul Rubens - 1615 -
Óleo s/Tela - Museu do Prado - Madri – Espanha



Sêneca - Obra

Seus trabalhos exemplificam a maneira de escrever retórica, declamatória, com frases curtas, conclusões epigramáticas e emprego de metáforas. A ironia é a arma da qual se utilizou com maestria, principalmente nas tragédias que escreveu, as únicas do gênero na literatura da antiga Roma. Versões retóricas de peças gregas, elas substituem o elemento dramático por efeitos brutais, como assassinatos em cena, espectros vingativos e discursos violentos, numa visão trágica e mais individualista da existência.
Entre seus últimos textos estão a compilação científica Naturales quaestiones (Problemas naturais), os tratados De Tranquillitate Animi (Sobre a tranqüilidade da alma), De vita beata (Sobre a vida beata) e, talvez sua obra mais profunda, as Epistolae morales dirigidas a Lucilius, em que reúne conselhos estóicos e elementos epicuristas na pregação de uma fraternidade universal mais tarde considerada próxima ao cristianismo.

Cartas Morais (Epistulae ad Lucillium) escritas entre 63 e 65 e dirigidas a Lucílio talvez seja a obra mais importante de Sêneca. As Cartas contêm observações pessoais. Criticas e reflexões, sendo um testemunho do cotidiano da vida em Roma na época.
Entre seus 12 Ensaios Morais, destacam-se Da Clemência, endereçado a Nero sobre os perigos da tirania. Sobre a Tranquilidade da Alma, que tem como tema o problema da participação na vida pública.

Sobre a brevidade da vida:

”A vida divide-se em três períodos: O que foi, o que é, e o que há de ser.” Destes o que vivemos é breve, o que havemos de viver, duvidoso; o que já vivemos certo. O tempo presente é brevíssimo, tanto que a alguns parece não existir, pois está sempre em movimento; frui e precipita-se; deixa de ser antes de vir a ser; é tão incapaz de deter-se, quanto o mundo ou as estrelas, cujo infatigável movimento não lês permite permanecer no mesmo lugar…Deve-se aprender a viver por toda a vida, e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer. "


Além dessas obras, Sêneca escreveu 9 tragédias e uma obra-prima da sátira latina, Apokolokintosis, que ridiculariza Cláudio e suas pretensões a divindade. Apokolokintosis quer dizer exatamente “transformação em abóbora”: apoteose significa transformação do homem em deus; portanto (colocynte=abóbora), transformação em abóbora. Abóbora no sentido de bobo, homem sem intelecto.
Todas essas obras revelam que, para Sêneca, a filosofia é uma arte da ação humana, uma medicina para os males da alma e uma pedagogia que forma os homens, para o exercício da virtude.É portanto um moralista. Sua concepção do mundo repete as idéias dos estóicos gregos.A razão universal transforma-se em Sêneca num deus pessoal, que é a sabedoria, a previsão e atenção sempre em ação para governar o mundo e realizar uma ordem maravilhosa.


Frases:

“A questão não é morrer cedo ou tarde, e sim de morrer bem ou morrer doente. E morrer bem significa ter a sorte de escapar do perigo de viver doente.”
Cartas a Lucílio - Livro VIII - Carta 70

“Tu receias a morte, tal como receias os boatos: há coisa mais ridícula do que ver um homem com medo de palavras? O filósofo Demétrio costumava dizer, com humor, que tanta importância dava aos clamores dos insensatos, como ao ruído que produzimos no baixo ventre! “Que diferença me faz” - dizia ele “que o som saia por cima ou por baixo?!”
Cartas a Lucílio - Livro XIV - Carta 91

“Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável.”
“Ninguém pode ser desprezado por outrem, se não se desprezou antes a si mesmo.”
Consolação a Minha Mãe Hélvia.

“Deve-se finalmente escolher com cuidado os homens: ver se eles merecem que lhes consagremos uma parte de nossa existência e se são gratos ao sacrifício de tempo que lhes fazemos; pois há os que chegam a considerar os serviços que lhes prestamos como um benefício para nós mesmos.”

“Evitemos, porém, o mais possíve,l as naturezas tristes e queixosas, que não deixam escapar nenhuma ocasião para se lamentar. Por mais fiel, por mais dedicado que possa ser, um companheiro de humor inconstante e que se queixa a cada momento é inimigo de nossa tranquilidade.”

“Em seguida, a primeira coisa a evitar é desperdiçar nosso esforço ou em objetos inúteis ou de maneira inútil…”. “Que todo esforço tenha pois, um alvo preciso e seja apropriado para um resultado.”
Extratos "Da Tranquilidade da Alma"


Fonte: http://biografia.wiki.br/seneca-filosofo.html

Ilustração: A Morte de Sêneca, Gerard Van Honthorst (século XVII)