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Art Nouveau

História

Art nouveau ([aR.nu'vo], do francês arte nova), foi um estilo estético essencialmente de design e arquitectura que também influenciou o mundo das artes plásticas. Era relacionado com o movimento arts & crafts e que teve grande destaque durante a Belle époque, nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX. Relaciona-se especialmente com a 2ª Revolução Industrial em curso na Europa com a exploração de novos materiais (como o ferro e o vidro, principais elementos dos edifícios que passaram a ser construídos segundo a nova estética) e os avanços tecnológicos na área gráfica, como a técnica da litografia colorida que teve grande influência nos cartazes. Devido à forte presença do estilo naquele período, este também recebeu o apelido de modern style (do inglês, estilo moderno).
O nome surgiu de uma loja parisiense (capital internacional do movimento), chamada justamente Art nouveau e que vendia mobiliário seguindo o estilo.
Caracteriza-se pelas formas orgânicas, escapismo para a Natureza, valorização do trabalho artesanal, entre outros. O movimento simbolista também influenciou o art nouveau.
Recebeu nomes diversos dependendo do país em que se encontrava: Flower art na Inglaterra, “Modern Style”, “Liberty” ou stilo “Floreale” na Itália. Os alemães criam sua própria vertente de Art Nouveau chamada Jugendstil.
No Brasil, teve fundamental participação na divulgação e realização da art nouveau o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Um dos maiores nomes desse estilo, no Brasil, é o artista Eliseu Visconti, pioneiro do design no País.







Uma estética para o design

Ao contrário da maioria das correntes associadas ao movimento modernista, o Art Nouveau não foi dominado pela pintura. Mesmo os pintores mais estreitamente relacionados com o estilo, Toulouse-Lautrec, Pierre Bonnard, Gustav Klimt, criaram cartazes e objetos de decoração memoráveis. Juntamente com o Arts and Crafts, o Art Nouveau foi um dos estilos estéticos que preparam o caminho do design moderno.
Art Nouveau modernizou o design editorial, a tipografia e o design de marcas comerciais; além de se destacar pelo desenvolvimento dos cartazes modernos. Art Nouveau também revolucionou o design de moda, o uso dos tecidos e o mobiliário, assim como o design de vasos e lamparinas Tiffany, artigos de vidro Lalique e estampas Liberty.
A litografia colorida tornou-se disponível no final do século XIX, possibilitando aos designers da época trabalhar direto na pedra, sem as restrições da impressão tipográfica, possibilitando um desenho mais livre. Esse avanço tecnológico foi responsável pelo florescimento e difusão dos cartazes impressos.

Belas águas de Santa Catarina

Procurei belas imagens de Santa Catarina como forma de "exorcizar" a tragédia que se abateu sobre nosso querido Estado vizinho, irmão e lindíssimo e, onde, também, tenho estimados colegas de trabalho.
Meu desejo é que logo logo tudo se restabeleça, e que a mídia volte a mostrar as belezas naturais de Santa Catarina , a força e a simpatia do povo catarinense.
Dividi as imagens em duas postagens: na anterior estão belas cascatas espalhadas por Santa Catarina e, nesta coloquei fotos de belas praias onde tantas vezes estive com minha família em momentos maravilhosos de nossas vidas.


Fonte de Águas Termominerais - Santo Amaro da Imperatriz

Praia do Rosa

Pra da Cigana - Laguna

Ilha de Porto Belo

Meia Praia - Itapema

Cantões da Praia do Canto Grande - Bombinhas

Barcos na foz do Rio Piçarras



Lindas águas de Santa Catarina

Gruta e Cachoeira do Índio em Rio dos Cedros

Cachoeira da Trisamya em Rancho Fundo

Cascata Encantada em Paulo Lopes


















Cascata do Sol Nascente em Abelardo Luz

Cachoeira Ribeirão Pequeno em Taió

Cachoeira Bianchini em Siderópolis

Cachoeira Santa Margarida em Salete

Quedas do Rio Chapecó em São Domingos

Rio do Santo em Timbé do Sul e Cachoeira da Peroba em Santa Rosa do Sul

Salto São Domingos - Palmitos

Salto Veloso



Livro Diplomacia de Henry Kissinger

Henry Kissinger nos oferece nas 1005 páginas de “Diplomacia”, uma análise de mais de três séculos de história diplomática, do Cardeal Richelieu (1585-1642) à atualidade, concentrando-se principalmente no século XX, onde apresenta as suas próprias interpretações, decorrentes de sua experiência no exercício da profissão. É uma obra de referência e um estudo do exercício do poder e do estabelecimento gradual da ordem internacional ao longo dos últimos séculos, a partir do contraste entre as tradições européia e americana nas crises internacionais que deram conformação ao mundo contemporâneo.
Segundo Kissinger a tradição européia baseia-se na razão de Estado e na diplomacia do Concerto de Viena, isto é, no equilíbrio de poder e no sistema de alianças que mantiveram uma paz relativa na Europa no período de 1815 a 1914. Já a tradição americana, mais recente, consolidou-se a partir da convicção de que os ideais republicanos dos Estados Unidos seriam capazes de conduzir o mundo a um estado de harmonia de interesses, construído sobre o respeito à democracia, à liberdade e à auto-determinação dos povos, sob as garantias da segurança coletiva. A obra de Henry Kissinger trata da interpenetração dessas duas tradições a partir do pano de fundo dos eventos históricos.

Cobras Criadas



"A remontagem da biografia de David Nasser, que se confunde com a história da revista O Cruzeiro e faz um corte na imprensa brasileira do século 20, exigiu dois anos de pesquisas e 103 entrevistas do autor, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho. Ao fim dessa maratona, Maklouf, produziu um livro excelente, a começar pelo título. Cobras Criadas movimenta um elenco de craques pois David Nasser brilhou num mundo repleto de ''cobras'' em jornalismo que às vezes pareciam tão confiáveis quanto urutus. Terminada a leitura, fica claro que o Brasil viveu nas décadas de 40 e 50 a era do ilusionismo. Nela, houve um templo chamado O Cruzeiro e David foi seu profeta. Sobretudo depois de 1943, quando encontrou o parceiro ideal no fotógrafo francês Jean Manzon, outro gênio da mistificação". Agusto Nunes


Se queres saber mais, leia a crítica completa no JB Online:

Mapas Históricos de Porto Alegre

1914

1888

1881

1868

1839

1833

1837

1772 - Reconstituição









Nobreza Brasileira

Para conseguir renda, durante o período que passou no Rio de Janeiro, D. João VI concedeu títulos a vinte e oito marqueses, oito condes, dezesseis viscondes e vinte e um barões, além de quatro mil cavaleiros, entre as três ordens imperiais. Tal quantidade foi criticada por Pedro Calmon que satirizou esta prodigalidade: “tornar-se conde em Portugal exigia 500 anos, no Brasil apenas 500 contos”. Mas, como veremos a seguir, a “fidalguia” mudou da espada e genitude para a pecúnia, o que começou ainda na Europa Renascentista.
Ana Francisca Rosa Maciel da Costa, viúva de Brás Carneiro Leão, foi agraciada a 17/12/1812 por D. João VI, com o título de Baronesa de São Salvador de Campos. Este foi o 1º título concedido a um brasileiro nato, ainda no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Foi esta Baronesa que iniciou na nobreza brasileira em 1823, quando titulou-se “Baronesa com Honras de Grandeza”, por D. Pedro I, no alvorecer do 1º Reinado, a distinção que os Imperadores Brasileiros criaram: “qualificação com grandeza”. Isto autorizava o agraciado a usar em seu brasão de armas, a coroa do título imediatamente superior. A Baronesa, portanto, poderia usar em seu brasão, a coroa de visconde e, além disso, facultava aos seus descendentes, pleitear a continuidade do título, mediante solicitação específica ao Imperador, que poderia ou não, atender ao pedido. A Baronesa foi o 1º titular de uma seqüência de 986 titulares, que totalizam 1.211 títulos recebidos nos 67 anos de Império assim distribuídos: 03 Duques, 47 Marqueses, 51 Condes, 235 Viscondes e 875 Barões.
Em 1871, o uso indevido do título, e/ou brasão, foi considerado crime de estelionato o que resultava em cadeia para os infratores, inclusive aos filhos que fizessem uso não autorizado por concessão específica do Imperador.
Foram registrados apenas 238 brasões entre os 1.211 títulos concedidos a 986 titulares, nos 67 anos do Império. Esta diferença é explicada pelos titulares que obtiveram mais de um título. Essa nobilitação garantia uma boa fonte de renda para a Corte que além do mais conseguia a lealdade destes nobres para ampará-la dos acidentes de percurso. Efetivamente, nos 67 anos de Império, eles protegeram o Imperador no único país com monarquia consolidada no Novo Mundo.
Os títulos foram dados, prioritariamente, aos fazendeiros e, depois, aos ocupantes de cargos públicos, aos comerciantes, aos negociantes e, por fim, aos intelectuais e, por último, aos capitalistas sempre respeitando os impedimentos tradicionais: bastardia, crime de lesa majestade, ofício mecânico, sangue infecto. A cor da pele não foi empecilho para a outorga de títulos, pois no 2º Reinado, dois negros foram titulados: o Visconde com Grandeza de Jequitinhonha a 2/12/1854 e o Barão de Guaraciaba a 16/9/1887.


Barão de Guaraciaba

Visconde - com Grandeza - de Jequetinhonha
A diferença entre as nobrezas de lá e de cá, foi que a portuguesa era hereditária e a brasileira nunca o foi. Mesmo assim, o encontro entre as duas não foi nada tranqüilo. Essa fusão/tensão conflituosa de interesses antagônicos, foi orquestrada, sabiamente, por D. João VI, também por seu filho D. Pedro I e por seu neto D. Pedro II. Aos que ambicionavam ser nobre, resultou numa elite brasileira que sustentou – financeiramente - a Corte no Rio de Janeiro, além de lançarem as bases da permanência da dinastia no Novo Mundo. Ao Rei que lhes concedeu essa benesse, sustentaram e protegeram dos perigosos ventos democráticos que assolavam a Europa pós-napoleônica com toda a lealdade, fidelidade e interesse em perpetuar a dinastia que os dignificara como nobres.
Enfim, ao se analisar a formação da nobreza portuguesa, depois do séc. XVIII, e compará-la com a formação da nobreza brasileira do Sec. XIX, se encontra muitas semelhanças, tanto na qualidade dos agraciados, como nos caminhos seguidos para a obtenção das concessões, além dos motivos de fazerem-se as concessões nobiliárquicas. Porém, há que se destacar uma enorme diferença entre as duas nobrezas: no Brasil os títulos nunca foram hereditários, ou seja, aqui o título valia apenas para o agraciado; era intransmissível. Foram 1.211 títulos concedidos apenas por uma vida; e para quem os pudesse pagar. Mas, semelhante à nobreza portuguesa, principalmente a partir do século XVII, concedia-se títulos a quem também pudesse por eles pagar e eram distribuídos conforme as necessidades pecuniárias da corte . Devido ao endividamento das cortes, isto aconteceu em toda a Europa. Não nos esqueçamos, que Napoleão ao tornar-se imperador, fez o mesmo.



Para veres os "belos e incríveis brasões" dos "barões do café" que postei em outubro, clique no marcador abaixo: HISTÓRIA DO BRASIL-Nobreza-Heráldica
Fonte: Livro As Barbas do Imperador de Lillian Schwarcz

20 anos da Revista Super Interessante Grátis


Os editores da Revista Super Interessante, em um gesto incomum, disponibilizaram para leitura e consulta, todas as edições de 1988 a 2006, também prometem que logo liberarão as de 2007.
É só clicar no ano e escolher a capa da revista, para acessar todo o seu conteúdo.

Boa Leitura e Bom Proveito!

http://super.abril.com.br/super2/superarquivo/

Santo Ambrósio O Pai da Liturgia Latina

Hoje, na aula de Mecenato Italiano na Renascença,
foi levanta a questão: Quem foi Santo Ambrósio?
Fiz uma pesquisa básica que divido com vocês.
Dedico esta postagem à competente Professôra Tânia.


Santo Ambrósio de Milão
(Teólogo, político e escritor)
339-397

Teólogo do período pós-nissênico, político, escritor, compositor e bispo da hoje cidade de Milão (374-397), no século da grande patrística (325-430), nascido em Treveris, hoje Trier, na Alemanha, introdutor no Ocidente do canto alternado dos salmos, e cuja obra pastoral, teológica e litúrgica o levou a integrar, juntamente com São Jerônimo e Santo Agostinho, o grupo de padres que constituem a idade de ouro da patrística. De uma próspera, senatorial e família cristã da Gália. Estudou em Roma (370) e foi nomeado governador de Ligúria e Emília, com sede em Milão. Com a morte do bispo Auxêncio (374) e em virtude da divisão existente entre os cristãos seguidores do Concílio de Nicéia e os partidários da heresia ariana, ambas as facções decidiram fazer dele bispo. Oito dias após ser batizado consagraram-no bispo de Milão. Considerando-se chamado por Deus, distribuiu seus bens aos pobres, estudou teologia e tornou-se um dos doutores da igreja. Tornou-se histórico por impor uma rigorosa ortodoxia a Igreja Cristã, seguidor do credo de Nicéia, recusou-se a qualquer acordo com os arianos, que postulavam uma natureza criada e finita para Jesus Cristo, não lhes permitindo nenhum lugar de culto em Milão. Enérgico e destemido diante de qualquer autoridade, opôs-se a que Valenciano II restaurasse o altar da deusa Vitória no Senado, e acusou e condenou o poderoso Imperador Teodósio I a uma penitência pública, responsabilizando-o pelo massacre contra os rebeldes da Tessolônica (390). A este bispo é atribuída a invenção do cântico religioso Te-déum (do latim Te Deum) que, por séculos e séculos, tem sido executado e cantado em cerimônias de ação de graças religiosas e leigas, tornando-se a canção-símbolo de agradecimentos em toda a cultura ocidental, bem como a introdução do canto das antífonas dos salmos, o que o fez ser considerado como o pai da liturgia latina nesse aspecto. Bispo e doutor, Padroeiro das abelhas e considerado o Pai da Igreja, morreu em Milão, cidade em cuja catedral repousam seus restos mortais, e é festejado no dia 7 de dezembro.

Alma Carioca

O Alma Carioca é um site excelente para quem curte a cultura brasileira.
Aqui coloco o "caminho" para um dos símbolos no Brasil, da política de boa vizinhança empreendida pelo presidente Franklin D. Roosevelt.
Assim como Disney, também Veríssimo, entre tantos nomes famosos de lá e de cá, fizeram parte do programa norte-americano.

http://www.almacarioca.com.br/arte070.htm

O vídeo mostra apenas um pequeno trecho da IMPERDÍVEL animação "Alô Amigos" de Disney.

O Processo Civilizador

Clássico de Norbert Elias



Nesta obra-prima fascinante, divertida e muito acessível, Elias analisa a história dos costumes, concentrando-se nas mudanças das regras sociais e no modo como o indivíduo as percebia, modificando comportamento e sentimentos. Norbert Elias buscou informações em livros de etiquetas e boas maneiras, desde o século XIII até o presente, para mostrar que nossos hábitos se colocam em um determinado estágio de uma evolução milenar. Elias prova que desde a Idade Média, em que o controle das pulsões era bastante reduzido, até os nossos dias, as classes dirigentes foram lentamente modeladas pela vida social, e a espontaneidade deu lugar à regra e à repressão na vida privada.
(texto da editora)




Neste segundo volume, Elias examina as condições sociais, econômicas e políticas que provocaram mudanças na sociedade européia, desde os tempos de Carlos Magno até o século atual. Baseando-se em grande volume de dados históricos, sociológicos e psicológicos, formula uma originalíssima teoria sobre a formação do Estado. Este verdadeiro clássico na historiografia sobre o tema é considerado por estudiosos de psicologia, sociologia e história uma das maiores obras interdisciplinares das últimas décadas.
(texto da editora)

Largo da Forca


Quando andares ali pelas proximidades do Museu do Trabalho na Volta do Gasômetro, no início da Rua da Praia (hoje Rua dos Andradas), vais encontrar uma praça com grandes árvores e uma estátua no centro. A estátua é de um militar empunhando a espada num gesto de quem comanda um ataque. Trata-se de uma homenagem ao brigadeiro Antônio de Sampaio, um cearense que lutou bravamente na Guerra do Paraguai. A praça tem hoje o seu nome: Praça Brigadeiro Sampaio, mas ela já teve outros nomes na sua longa história pontilhada de tristezas, alegrias, esplendor e abandono.

Por volta de 1752, quando os casais de açorianos aqui chegaram, o local onde hoje está a Praça Brigadeiro Sampaio, foi o primeiro cemitério de Porto Alegre. Era uma região deserta, afastada do centro da povoação que começava a nascer. As pessoas só se aventuravam a chegar até ali quando havia algum enterro, ou então no dia de finados. O local era evitado pelos mais supersticiosos. Diziam que as almas penadas rondavam entre as árvores pedindo orações.

E assim foi ao longo de 20 anos, até que em 1772 o Governador José Marcelino de Figueiredo mudou a capital de Viamão para Porto Alegre. A região do antigo cemitério foi reabilitada. Marcelino ali instalou o Palácio do Governo, a Câmara de Vereadores e a cadeia. E foi morar numa casa ao lado do Palácio, bem defronte ao matagal por onde andariam rondando as almas penadas.

O local foi se tornando cada vez mais movimentado. O Governador mandou então limpar o matagal, surgindo ali uma praça ainda sem nome. Uma espécie de ponto de descanso. As pessoas que iam tratar assuntos com o Governador ou com os vereadores encontravam abrigo à sombra das árvores num terreno limpo. Não havia mais notícias de almas penadas. Mas isso foi por pouco tempo. Uma nova legião de fantasmas logo estaria assombrando aquele local.

Naquele tempo havia pena de morte no Brasil. Morte por enforcamento. E aí ocorreu em Porto Alegre a primeira condenação à forca. O preto Luis, escravo de Antônio Francisco Pereira Jardim, seria executado. Mas ainda não existia uma forca na vila. Assim, o juiz Vicente Ferreira Gomes enviou um ofício à Câmara de Vereadores solicitando que fosse providenciada uma forca para que se cumprisse a sentença com a maior brevidade.

Como era a primeira vez que aquilo acontecia, a Câmara decidiu enviar uma cópia do ofício ao Governador pedindo instruções. A Câmara não encontrava amparo legal no seu Regimento para a instalação da forca. O Governador então ordenou que a Câmara mandasse levantar a forca o quanto antes, no lugar que julgasse mais conveniente.

Após vistoriar alguns locais, os vereadores decidiram erguer a forca na Ponta das Pedras, onde hoje fica uma parte da Praça Brigadeiro Sampaio. O local ganhou então o nome de Largo da Forca. Foi seu primeiro nome.

Depois da execução do preto Luis, outros condenados foram ali enforcados. Entre eles um negro chamado Lucas. Quando ele foi empurrado pelo carrasco, a corda rebentou. Aquilo foi interpretado como um sinal de inocência. E logo um irmão da Santa Casa cobriu o negro Lucas com a Bandeira da Misericórdia. De acordo com os costumes da época, ele deveria ser perdoado. A corda rebentada era um aviso da justiça divina à justiça dos homens. Mas o juiz que comandava a execução resolveu não respeitar o costume, nem ligar para a justiça divina. E ordenou o enforcamento. A partir daí, os mais supersticiosos passaram a evitar aquele local, pois os fantasmas e as almas penadas estavam de volta, pedindo orações, ameaçando com vinganças ou então chorando e jurando inocência.

O terreno era coberto de vegetação rasteira, largado ao abandono. Nem mesmo a armação da forca se via naquele local. Ela era retirada depois de cada execução, para não chocar as pessoas de bem com a imagem ameaçadora.

O Largo da Forca só recebia cuidados da Câmara quando alguém estava prestes a ser executado. A praça era então capinada. Erguia-se a forca. Abriam-se os acessos para que o povo pudesse presenciar o suplício do condenado. Terminada a execução, o local voltava a ser um terreno baldio, mal cuidado, temido e amaldiçoado.

Mais tarde, uma parte do terreno foi ocupado pelo prédio do Arsenal da Marinha e o Largo da Forca passou a chamar-se, oficialmente, de Praça do Arsenal. Era uma forma de apagar a triste memória que rondava o local.

Em 1860 a forca foi extinta em Porto Alegre e a então Praça do Arsenal ganhou um novo nome, dado espontaneamente pelo povo e passou a chamar-se Praça da Harmonia, celebrando o fim da pena de morte. Apesar de ter ganho um novo nome, o local continuou sendo um terreno baldio e mal cuidado onde pequenos casebres serviam de moradia às pessoas mais pobres da cidade.

Em 1865, o vereador José Martins de Lima assumiu com o povo o compromisso de reabilitar a praça. Começou com uma nova arborização, mandando plantar 94 árvores. Ao cabo de um ano a praça já apresentava novo aspecto. O coreto do tempo do Governador Ângelo Ferraz foi reconstruído e uma novidade incorporou-se aos novos divertimentos. Um ringue de patinação, onde rapazes e moças deslizavam mostrando suas habilidades e, no dizer de um cronista da época “aproveitando” os tombos para iniciar um namoro. As quedas eram pretextos para pegar na mão das mocinhas e ajuda-las a levantar-se.

Ao lado do ringue de patinação foi instalado um quiosque onde se bebia um chope geladinho, acompanhado de saborosos petiscos. Foi a época de ouro da Praça da Harmonia, reunindo ali, democraticamente, ricos, pobres e remediados. Era o ponto chique de Porto Alegre, um local de encontros e bate-papos nos tranqüilos fins-de-tarde, apreciando o pôr-do-sol do Guaíba.

Quando o vereador José Martins de Lima faleceu, a Câmara decidiu mudar o nome da Praça da Harmonia que passou então a chamar-se Praça Martins de Lima, em homenagem àquele que tinha conseguido dar ao local o tratamento que merecia. O povo, entretanto, continuou chamando de Praça da Harmonia.

Em 1965 diante de tanta insistência com o antigo nome, levantou-se na imprensa e na Câmara de Vereadores, um forte movimento para que o nome dado espontaneamente pelo povo, fosse consagrado oficialmente. Assim, por uma lei votada em julho de 1965, foi oficializado o nome de Praça da Harmonia.

Apesar dos apelos do povo e do reconhecimento dos vereadores, dez anos depois a praça mudou de nome mais uma vez. Hoje ela é conhecida como Praça Brigadeiro Sampaio, em homenagem ao cearense Antônio Sampaio, que lutou bravamente na Guerra do Paraguai.


Foto: Praça da Harmonia em 1894. Acervo Museu da UFRGS
Fonte: Terra, Eloy. As Ruas de Porto Alegre. AGE. 2001

Qual é o erro?

Tu já encontraste publicação com erros grosseiros? Veja o caso abaixo. Este box está na Revista Leituras da História - Ano I - nº 8, da Editora Escala







A República nas caricaturas de Ângelo Agostini

Ângelo Agostini

(Vercelli, Itália, 1843 - Rio de Janeiro, 1910)



Figura intrigante, crítica, política e ativa, Agostini marcou com seu traço a história brasileira. Nos periódicos pelos quais passou, ficou seu caráter militante, sua ironia e comicidade estampados em seus comentários. Suas críticas provocaram inquietações e descontentamentos para os quais a imprensa serviu de tribuna de discussões.

Agostini tinha presente a questão política em suas reflexões porque, entre outros aspectos, sabia que as artes estavam atreladas à política imperial .

Para realizar sua crítica Agostini utilizou-se não apenas dos recursos textuais, mas também dos desenhos. Quando observamos as caricaturas de Agostini, percebemos que o seu traço não apresenta como principal característica a deformação da figura. Suas representações atuam mais como retratos que indicam com clareza de quem se trata e o que se quer mostrar. Suas caricaturas vinham sempre acompanhadas de pequenas legendas salpicadas de comentários por vezes divertidos, irônicos ou mesmo bastante ácidos.





Deodoro da Fonseca aparesenta a Repúlica em seu primeiro aniversário,
dia em que foi instalada a Consttiuinte.

Revista Ilustrada, nº 607, novembro de 1890.


"Das urnas sairá triunfante, depois de amanhã,
a própria imagem da Pátria Republicana.

Revista Ilustrada 06/09/1890.



Dias antes das eleições de 15 de setembro de 1890 para a Constituinte,
a Revista Ilustrada convida o povo a votar.

Revista Ilustrada, 06/09/1890



Em contraste com as imagens da República, as caricaturas de Ângelo Agostini,
publicadas durante o Império, no popular jornal Revista Ilustrada,
satirizavam constantemente o Imperador Dom Pedro II.
Nesta charge ele é "derrubado do trono"

Revista Ilustrada nº 283, 1882



Revista Ilustrada nº 406, 1885.



Revista Ilustrada nº 283, 1882.


Revista Ilustrada nº 432, 1886.


" Homenagem d' O Malho à data fulgurante de 15 de novembro de 1989"



Uma antevisão da cena que só ocorreria em 24 de fevereio de 1891:
a Pátria recebendo a constituição de Deodoro da Fonseca,
que tem a seu lado Rui Barbosa.
Revista Ilustrada, nº 594, junho de 1890.